Crítica trabalho Renato Gosling, por Oscar D'Ambrosio

O trabalho plástico de Renato Gosling apresenta diversas facetas muito importantes para a arte contemporânea. O primeiro deles está na maneira como recolhe o material, principalmente galhos, troncos e pedras, em caçambas ou terrenos baldios, enfim, geralmente em locais onde se acumulam objetos usados em desuso.

Reutilizar e ressignificar esse universo que coleta é fundamental na sua obra e no mundo em que vivemos, já que os possíveis sentidos de muita coisa que vemos e que fazemos parece ter se esgotado. A proposta do artista dá um novo valor a esses universos e os coloca em outra posição.

O que mais fascina está justamente que os materiais são respeitados da maneira que são encontrados pelo criador. Para fazer as suas esculturas, às vezes realiza certos ajustes ou acréscimos, mas sempre dentro da filosofia de que a natureza indica o caminho a ser seguido.

E há muita sabedoria nessa maneira de interpretar o mundo. A criação de cada peça passa justamente por essa reflexão de como a arte traz em si mesma uma reconfiguração da realidade visível em uma atmosfera sensível. E essa caminhada é realizada das mais diversas formas. Renato Goling apresenta a sua escolha.

Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e pós-doutorando e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Oscar D’Ambrosio Crítico de arte e historiador

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